Também disponibilizamos o Plano de Trabalho da APO, com descrição dos serviços, objetivos, recursos materiais e humanos e tudo que envolve o atendimento à pessoa ostomizada e a garantia dos seus direitos. Este Plano de Trabalho foi elaborado em função da participação da APO no Chamamento Público nº 07/2022, conforme edital de 26 de outubro de 2022, que destina recursos financeiros do Fundo Municipal de Apoio ao Deficiente (FMAD) às instituições denominadas Organizações da Sociedade Civil (OSC).
Em cumprimento à Lei Federal nº 13019/2014, a Diretoria da Associação Paranaense dos Ostomizados (APO) disponibiliza o Termo de Fomento celebrado entre a Fundação de Ação Social (FAS) de Curitiba, em 15 de setembro de 2023, na qual foi celebrado repasse de recursos do Fundo Municipal de Apoio ao Deficiente (FAD) para o pagamento de despesas da associação, com vigência a partir de 5 de outubro de 2023 a 5 de outubro de 2024.
Por Glória Marcondes Estomaterapeuta e assessora técnica da CASEX
Dieta rica em fibras, uso criterioso de antibióticos e prática de exercícios físicos regulares são abordagens benéficas contra a disbiose intestinal (Freepik)
A disbiose, termo que denota um desequilíbrio na comunidade microbiana do corpo, tem despertado crescente interesse na comunidade científica. Com ênfase na disbiose intestinal, este artigo explora as complexidades dessa condição e seus impactos em nossa saúde.
A disbiose geral refere-se a alterações negativas na composição e função da microbiota, que é o conjunto de microrganismos que habitam naturalmente o corpo humano. Essa disfunção pode ocorrer em diversos órgãos, mas a disbiose intestinal é particularmente significativa, dada a centralidade do trato gastrointestinal para a saúde de todo o corpo.
O intestino humano é habitado por trilhões de microrganismos, desempenhando papel crucial na digestão, absorção de nutrientes e modulação do sistema imunológico. Quando há quebra no equilíbrio dessa comunidade, surgem condições propícias para o desenvolvimento da disbiose intestinal. Fatores como uso indiscriminado de antibióticos, dieta pobre em fibras, estresse crônico e infecções gastrointestinais podem desencadear esse desequilíbrio.
Os sintomas da disbiose intestinal são diversos e podem variar desde desconforto abdominal e irregularidades no trânsito intestinal até problemas imunológicos e inflamatórios. A integridade da barreira intestinal, responsável por manter o equilíbrio entre o ambiente externo e o interno, é comprometida na disbiose, levando a um aumento da permeabilidade intestinal. Isso permite a passagem de substâncias indesejadas para a corrente sanguínea, desencadeando reações imunológicas adversas.
Além disso, a disbiose intestinal tem sido associada a uma série de condições crônicas, incluindo doenças autoimunes, obesidade, diabetes e distúrbios neuropsiquiátricos. A comunicação entre o intestino e o cérebro é afetada pela disbiose, podendo contribuir para distúrbios como ansiedade e depressão.
Diante desse cenário, estratégias para restaurar a saúde da microbiota intestinal têm sido objeto de intensa pesquisa. A promoção da diversidade bacteriana por meio de uma dieta rica em fibras, uso criterioso de antibióticos, prática de exercícios físicos regulares e incorporação de probióticos na dieta são abordagens consideradas benéficas.
A compreensão da disbiose intestinal está evoluindo, e novas terapias estão sendo desenvolvidas para restaurar o equilíbrio microbiota. A pesquisa em microbioma, a análise avançada de dados genômicos e as intervenções personalizadas estão moldando o futuro da abordagem terapêutica para a disbiose.
Concluindo: a disbiose intestinal emerge como um campo fascinante e crucial na compreensão da saúde humana. Seu impacto vai além do sistema digestivo, influenciando diversas áreas do organismo. A busca por estratégias eficazes para preveni-la e tratá-la representa um avanço significativo na promoção da saúde global e no manejo de doenças associadas a esse desequilíbrio microbiano.
Liga é parceira da Associação Paranaense dos Ostomizados na produção de conteúdo sobre ostomia
Membros da liga na 3° Jornada Acadêmica Laenfe/UFPR e Pinhão Científico Sobest
Desde o início de agosto, a APO mantém uma parceria com a Liga Acadêmica de Enfermagem em Estomaterapia da Universidade Federal do Paraná (Laenfe/UFPR) para a produção de conteúdos sobre ostomia nas redes sociais. De lá para cá, já foram produzidos diversos vídeos explicativos sobre temas como os principais tipos de ostomia, cuidados com as bolsas e até mesmo orientações específicas para pais e responsáveis de crianças ostomizadas.
Atualmente a Laenfe conta com 29 membros, dentre estudantes, coordenadores e enfermeiros para suporte técnico. Entre as principais atividades do grupo estão aulas práticas e teóricas, produção científica, palestras e participação e organização de eventos e cursos.
Em junho deste ano, a liga se tornou creditada e registrada pela Associação Brasileira de Estomaterapia (Sobest), o que permitiu ao grupo organizar o evento “3ª Jornada Acadêmica da Laenfe e Pinhão Científico da Sobest”, evento que contou com a participação da presidente da APO, Katia Oliveira.
Confira a seguir um bate-papo com a vice-presidente da Laenfe, Luciane Lachouski, que é ileostomizada.
Jornal APO: Como foi o início da Laenfe?
Luciane Lachouski: A Laenfe foi fundada em 2019 a partir do desejo de uma aluna de enfermagem de aprender mais sobre a Estomaterapia. A partir disso, ela procurou a Prof° Dra Shirley Boller – professora adjunta no Departamento de Enfermagem da UFPR e também estomaterapeuta – para que ela a orientasse nessa iniciativa.
A vontade de criar a Laenfe surgiu mais especificamente da vivência dessa aluna no conteúdo de uma disciplina do 4° período chamada “Fundamentos para o Cuidar em Enfermagem”. Ela percebeu que era extremamente importante que os futuros profissionais de enfermagem tivessem um aprofundamento na temática de Estomaterapia, por ser um conteúdo bastante utilizado no exercício profissional.
Jornal APO: Quais são os objetivos da liga?
Luciane Lachouski: O principal deles é auxiliar alunos do curso de Enfermagem em sua trajetória, contribuindo no aperfeiçoamento através de estudos, pesquisas, extensão e debates com o propósito de despertar interesse em Estomaterapia.
Entre outros objetivos estão despertar o interesse dos acadêmicos de Enfermagem no estudo de temas relevantes da Estomaterapia; organizar e incentivar atividades de caráter cultural, científico e social que visem o aprimoramento da formação universitária de seus membros; e fornecer suporte aos alunos interessados em desenvolver iniciações científicas dentro desse tema.
Jornal APO: Quais as funções dos ligantes?
Luciane Lachouski: Os ligantes se dividem em diretoria executiva e demais membros. Aos que fazem parte da diretoria compete estabelecer o número de vagas disponíveis anualmente pela Laenfe; organizar e divulgar os encontros e demais atividades. Já aos outros membros cabe auxiliar nas atividades, representar a liga nos eventos, fazer processo seletivo para ingresso na liga, comparecer às reuniões, entre outras funções.
Jornal APO: Qual é o apoio recebido pela UFPR?
Luciane Lachouski: O apoio é o vínculo que a Laenfe tem como projeto de extensão. Atualmente a UFPR enquadra as ligas acadêmicas como extensão universitária, porém já há uma comissão técnica na universidade que está discutindo um regimento próprio para essas ligas. Enquanto esse regimento ainda não está em vigor, a Laenfe atende as normas estabelecidas pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec-UFPR). Dessa maneira, a liga participa de editais de bolsa de extensão e de fomentos por meio de editais e chamadas internas divulgadas pela Proec.
Por: Silvia Moreira Enfermeira estomaterapeuta da Convatec Brasil
Caso a pele ao redor da estomia (pele periestomia) fique irritada e lesionada, além do risco de infecção, isso pode prejudicar a aderência da barreira de pele do equipamento coletor. A prevenção é a melhor forma de manter a pele periestomia saudável.
Antes de aplicar a barreira de pele, é importante verificar se a pele periestomia está saudável e seca. Isso permitirá que o dispositivo fique aderido à pele durante toda a sua utilização.
Observe o aspecto da pele ao redor do estoma quando esta se encontra em perfeitas condições. A pele periestomia deve ter a mesma aparência da pele do lado oposto do abdome, ou seja, deve estar íntegra. Assim que souber reconhecer o aspecto da pele saudável, será mais fácil reconhecer qualquer tipo de alteração.
O ajuste adequado da barreira de pele ao redor do estoma é essencial para prevenir complicações na pele periestomia. No equipamento coletor de uma peça, uma barreira de pele aderente e flexível protegerá a pele e permitirá sua remoção sem trauma.
O equipamento coletor de duas peças apresenta vários tipos de barreiras de pele, entre eles a placa com a Tecnologia Moldável. A Tecnologia Moldável foi desenvolvida para abraçar a estomia, como uma gola alta envolve o pescoço, eliminando os espaços entre o estoma e a pele periestomia. Ela fornece um ajuste seguro e confortável que minimiza as complicações da pele ao redor do estoma.
Prevenção
Prevenir os problemas de pele é bem mais fácil do que tratá-los. É muito importante saber fazer a higiene da sua estomia; para isso, tenha em consideração os seguintes pontos:
Lave suavemente a pele periestomia e a estomia com a ajuda de uma esponja suave, com água morna e sabão com pH neutro.
Seque bem a estomia e a pele periestomia, sem friccionar, mantendo a pele que está debaixo da bolsa limpa e seca.
Não use substâncias irritantes para a pele em volta da estomia, como perfumes, álcool, éter, antissépticos ou sabonetes agressivos.
Se os pelos ao redor da estomia são abundantes, corte-os com uma tesoura (não use gilete ou creme depilatório).
Não utilize qualquer tipo de creme gorduroso, pois pode impedir a boa aderência dos equipamentos.
Use um equipamento coletor que lhe proporcione a segurança de ter uma pele bem cuidada.
A importância dos adjuvantes
Os acessórios de ostomia têm muitas vantagens e podem ser utilizados em conjunto com os dispositivos de ostomia, com a finalidade de proteger a pele periestomal. Assim, os acessórios favorecem o cuidado da pele e melhoram a adaptabilidade do dispositivo ao estoma.
* Artigo publicado no jornal da Associação Paranaense dos Ostomizados