/ENTREVISTA: Mario Romero (presidente da Associação Valeparaibana de Ostomizados)

ENTREVISTA: Mario Romero (presidente da Associação Valeparaibana de Ostomizados)

No dia 5 de maio, a APO recebeu a visita de Mario Romero, presidente da Associação Valeparaibana de Ostomizados (AVO), com sede na cidade de Taubaté (SP).
Romero tem se dedicado a visitar várias associações de ostomizados pelo Brasil com o objetivo de conhecer melhor a realidade das mesmas. “Durante as visitas às associações, pude vislumbrar de perto as dificuldades com que elas convivem. Sem apoio jurídico, verbas diminutas e vaga divulgação seguem um caminho tortuoso de muitas dificuldades, o que reflete diretamente na qualidade de vida do ostomizado brasileiro”, afirma.

Jornal APO: Após conhecer de perto as condições dos ostomizados de todo o país, qual sua impressão no que diz respeito à defesa das causas dos ostomizados e das associações que os representam?

Mario Romero: O Brasil necessita de muitas ações voltadas ao atendimento digno para os ostomizados. O que presenciei nestas visitas foram grandes carências de materiais de ostomia, seus adjuvantes, irrigações, falta de informações, orientações. As associações procuram fazer seus trabalhos de maneira correta, mas faltam recursos financeiros, faltam projetos e pessoas para desenvolvê-los.
Existe a portaria 400, mas não atende plenamente as nossas necessidades. Existem leis como a 5.296, as quais os ostomizados ainda encontram dificuldades para utilizá-las.

Jornal APO: Acredita na necessidade de alterações na portaria 400, no que diz respeito ao fornecimento de materiais, especialmente para os colostomizados que hoje tem garantido por ela apenas um número “máximo” de bolsas/mês, enquanto deveríamos pensar em um número “mínimo”?

Mario Romero: Realmente, a portaria 400 nasceu por méritos de uma grande luta desenvolvida pela Cândida Carvalheira (presidente Associação Brasileira de Ostomizados – Abraso), pela Associação Brasileira de Estomaterapia (Sobest) e muitas outras ações politicas, devemos reconhecer. No entanto, após dez anos, essa portaria necessita de algumas mudanças, como qualquer outra lei, pois precisamos agora voltar os olhos para a necessidade real e atual dos ostomizados. Tenho absoluta certeza que, alterando a quantidade de dez bolsas por mês no máximo para trinta bolsas por mês no mínimo para pessoas colostomizadas, daremos um grande passo para buscar a tão sonhada qualidade de vida com dignidade. Também devemos acrescentar o material de irrigação, pois esse procedimento devolve ao cidadão colostomizado a auto estima.